Ernani Maurício Fernandes
Amazônia
inferno ou paraíso?
nannogiganthy editoria cultural
Amazônia
inferno ou paraíso?
nannogiganthy editoria cultural
SUMÁRIO
Introdução
Parte I
1- Aspectos primários - históricos e geográficos
A - Extrativismo e o Ciclo da Borracha
O primeiro ciclo da borracha - 1879/1912
O segundo ciclo da borracha - 1942/1945
B- Marechal Rondon
C - Irmãos Villas Boas
D - Rodovia Transamazônica
E – Zona Franca de Manaus
F - Serra Pelada
G - Projeto Carajás
H - Chico Mendes
I – Desflorestação - Desmatamento da Amazônia
J - Sivam Incra Ibama
2 - Internacionalização da Amazônia
Direito Penal
Cristóvam Buarque
Paulo Figueiredo
Pedro Paulo Cardoso Barcellos Ferreira
John Eliasch - empresa Gethal
Henrique Cortez
Tânia Monteiro e Soraya de Alencar
General Lessa
Violeta Refkalefsky Loureiro
Introdução
Parte I
1- Aspectos primários - históricos e geográficos
A - Extrativismo e o Ciclo da Borracha
O primeiro ciclo da borracha - 1879/1912
O segundo ciclo da borracha - 1942/1945
B- Marechal Rondon
C - Irmãos Villas Boas
D - Rodovia Transamazônica
E – Zona Franca de Manaus
F - Serra Pelada
G - Projeto Carajás
H - Chico Mendes
I – Desflorestação - Desmatamento da Amazônia
J - Sivam Incra Ibama
2 - Internacionalização da Amazônia
Direito Penal
Cristóvam Buarque
Paulo Figueiredo
Pedro Paulo Cardoso Barcellos Ferreira
John Eliasch - empresa Gethal
Henrique Cortez
Tânia Monteiro e Soraya de Alencar
General Lessa
Violeta Refkalefsky Loureiro
Parte II
1- A Globalização e a Ecologia
2- A Ecologia a preservação do homem e a vida natural
O lixo industrial desperta a ciência do meio ambiente
3 - Aquecimento Global
4 - Efeito Estufa
5 - Ozonosfera
6 - CO2 dióxido de carbono
7- Bioma
8- Biodiversidade
9 - Ecossistema
10 - Água Potável
11- Desenvolvimento Sustentável
12 - Eco Rio 92
13 - Agenda 21
14 - Protocolo de kioto
15 - Milton Santos
o grande conforto burguês
traz uma preguiça intelectual
milton santos
Introdução
1- Aspectos primários - históricos e geográficos
Violeta Refkalefsky Loureiro, mestre em Sociologia pela Unicamp, doutora em Sociologia pelo Institut des Hautes Études de l'Amérique Latine (Paris) e professora da Universidade Federal do Pará, afirma que primeiro europeu a pisar as terras amazônicas, o espanhol Vicente Pinzon em janeiro de 1500, percorreu a foz do Amazonas, conheceu a ilha de Marajó e surpreendeu-se em ver que se tratava de uma das regiões mais intensamente povoadas do mundo então conhecido. Ficou perplexo vendo a pororoca e maravilhado com as águas doces do mais extenso e mais volumoso rio do mundo. Foi bem acolhido pelos índios da região. Mas, apesar de fantástica, sua viagem marca o primeiro choque cultural e o primeiro ato de violência contra os povos da Amazônia: Pinzon aprisiona índios e os leva consigo para vender como escravos na Europa.
A viagem de Orellana (em 1549) instaura o momento fundador dos primeiros mitos, como o das Amazonas — índias guerreiras, bravas habitantes de uma aldeia sem homens. Outros viajantes, aventureiros e exploradores que procuravam riquezas espalharam mundo afora mitos e fantasias. De todos, o mito mais persistente parece ter sido sempre o da superabundância e da resistência da natureza da região: florestas com árvores altíssimas que penetravam nas nuvens, frutos e flores de cores e sabores indescritíveis, rios largos a se perderem no horizonte (povoados de monstros engolidores de navios nas noites escuras), animais estranhos e abundantes por todo o chão; pássaros cobrindo o céu e colorindo-o em nuvens de penas e plumas de todas as cores.
A Amazônia fica na América do Sul e é um continente que compreende a porção meridional da América. Sua extensão é de 17.819.100 km², abrangendo 12% da superfície terrestre, porém só tem 6% da população mundial. Une-se à América Central, ao norte, pelo istmo/canal do Panamá.
Tem uma extensão de 7.400 km desde o mar do Caribe até o cabo Horn, ponto extremo sul do continente. Os outros pontos extremos da América do Sul são: ao norte a Punta Gallinas, na Colômbia, ao leste a Ponta do Seixas, no Brasil, e a oeste a Punta Pariñas, no Peru. Seus limites naturais são: ao norte com o mar do Caribe; a leste, nordeste e sudeste com o oceano Atlântico; e a oeste com o oceano Pacífico.
Originalmente foi povoado por ameríndios e alguns povos de culturas sofisticadas, principalmente os incas. A maior parte da América do Sul foi colonizada pela Espanha e Portugal. A reivindicação espanhola se baseava nas descobertas de Cristóvão Colombo; em sua terceira viagem (1498) ele navegou ao longo da costa venezuelana e aportou em Trinidad.
Em 1500, o explorador português Pedro Álvares Cabral desembarcou no atual estado da Bahia e se apossou desse território em nome de Portugal. O Brasil português e o vice-reinado espanho do Peru constituíam as duas principais jurisdições administrativas da América do Sul nos séculos XVI e XVII.
No século XVIII subdividiu o Peru, acrescentando dois vice-reinados, Nova Granada (1717) e Rio da Prata (1776). No século XVII, Inglaterra, França e Holanda também estabeleceram colônias na costa nordeste do continente. O povoamento inicial foi pelo litoral, e até hoje os centros urbanos estão concentrados próximo à costa e não no interior do continente.
Em 1816 e 1825 a maior parte da América do Sul espanhola se tornou independente, sob a liderança de Simón Bolívar e José de San Martín, e conseqüentemente dividiu-se em países: Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai.
O Brasil se tornou independente de Portugal em 1822. A Guiana Inglesa se tornou Guiana independente em 1966, Suriname, colônia holandesa, teve sua independência em 1975, mas a Guiana Francesa ainda continua sob domínio francês.
O continente permaneceu politicamente independente na maior parte do século XIX, principalmente graças à doutrina Monroe, que evitou a expansão européia. Ao mesmo tempo, recebeu cerca de 15 milhões de imigrantes provenientes da Europa, e sofreu influências culturais e ideológicas tanto dos Estados Unidos quanto da Europa.
Investimentos econômicos consideráveis foram feitos, principalmente pelo Reino Unido, na produção primária, como mineração e carne, levando esses mercados à dependência. O continente é predominantemente católico romano; No século XIX e princípio do século XX a Igreja ocupou posição política e social importante e exerceu força conservadora.
Recentemente, suas posições foram contestadas por padres do movimento da Teologia da Libertação, que visavam o engajamento político da Igreja em prol dos pobres e destituídos. A rápida urbanização superou a oferta de emprego e moradia. Como esforço para estimular o comércio e produção, formaram-se grupos econômicos como o Mercado Comum Centro-Americano (MCCA), Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC) (1960), e a Associação Latino-Americana de Desenvolvimento e Intercâmbio (ALADI) (1981).
Projetos de desenvolvimento superdimensionados e a elevação dos preços do petróleo na década de 1970 sobrecarregaram muitos países sul-americanos com dívidas que suas economias altamente dependentes dos mercados financeiros mundiais não tiveram condições de honrar. Desde 1º de janeiro de 1995 vigora o Mercosul (Mercado Comum do Sul), que pretende extinguir gradativamente a fronteira econômica entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
A América do Sul possui vastos recursos naturais e graves problemas econômicos e sociais. Nas décadas de 1960 e 1970, a maior parte dos países sul-americanos estava submetida a ditaduras militares, geralmente apoiadas pelos Estados Unidos da América. Turbulências políticas continuam, a despeito da democratização iniciada na década de 1980. Em razão do alto endividamento externo e interno, vários países sul-americanos aplicam as políticas do Fundo Monetário Internacional (FMI), que comprimem as contas públicas mas não eliminam as crises.
Nos últimos anos, essa parte do continente vive uma chamada "onda de esquerda". Em vários países, presidentes considerados de esquerda são eleitos, em contraste com a situação vivida em décadas recentes. Essa onda começou com Hugo Chávez, que ganhou as eleições na Venezuela em 1998. Depois, foi a vez de Luís Inácio Lula da Silva, no Brasil (2002), Néstor Kirchner, na Argentina (2003), Tabaré Vázquez, no Uruguai (2004), Evo Morales, na Bolívia (2005), e Michelle Bachelet, no Chile (2006).
Com 17,8 milhões de quilômetros quadrados, a América do Sul une-se à América do Norte pelo istmo da América Central e separa-se da Antártica pelo estreito de Drake. A porção oeste é ocupada pela cordilheira dos Andes, cujo ponto mais alto é o monte Aconcágua, com 6.960 metros.
As planícies centrais abrigam a bacia hidrográfica do Orinoco, a Amazônica e a do Prata. Na região norte, onde o clima é equatorial, encontram-se florestas tropicais úmidas. Os rios que descem a cordilheira dos Andes em direção ao oceano Pacífico são, em geral, curtos, enquanto os que correm em direção ao Atlântico, extensos, como o Amazonas, Tocantins, São Francisco, Paraná e da Prata.
Nas áreas mais secas do centro localiza-se o cerrado. O sul possui faixas áridas, como o deserto do Atacama, e uma zona temperada, ocupada por florestas tropicais e pelos pampas argentinos. De acordo com o World Resources Institute, a América do Sul preserva quase 70% de suas florestas. A maior mata nativa é a da Amazônia, seguida das florestas temperadas do Chile e da Argentina.
A América do Sul tem 380 milhões de habitantes. Vazios demográficos (como as florestas tropicais, o deserto de Atacama e as porções geladas da Patagônia) convivem com regiões de alta densidade populacional, como os centros urbanos de São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Lima e Santiago. A população é formada principalmente por descendentes de europeus (em especial espanhóis e portugueses), africanos e indígenas. Há alta porcentagem de mestiços. As principais línguas são o espanhol e o português.
A indústria está concentrada no beneficiamento de produtos agrícolas e na produção de bens de consumo. No Brasil e na Argentina encontra-se mais diversificada, abrangendo setores como extração e refino de petróleo, siderurgia, metalurgia, química e automobilística, entre outras. O Brasil é responsável por cerca de três quintos da produção industrial sul-americana. A mineração inclui a extração de petróleo (com destaque para a Venezuela), cobre, estanho, manganês, ferro, zinco, chumbo, alumínio, prata e ouro. A agricultura é intensiva nas áreas tropicais, onde há culturas voltadas para a exportação (café, cacau, banana, cana-de-açúcar, algodão e cereais). A pecuária é praticada em larga escala no sul e no centro.
O site Portal Amazônia esclarece que a Amazônia é a maior região florestal e hidrográfica do mundo. Ocupa grande parte hemisfério setentrional da América do Sul, correspondendo à parte brasileira a 42% do território nacional. Estende-se das margens do Oceano Atlântico no leste, até o sopé da Cordilheira dos Andes no oeste. Espalha-se pelas Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia, perfazendo mais de 6 milhões de km2.
A Floresta Amazônica está localizada na Região Norte do Brasil, e possui uma área de cerca de 5,5 milhões de km². Fazendo parte de nove países: Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa, é a maior floresta tropical úmida do planeta e com a maior biodiversidade. No Brasil, a Amazônia Legal se estende por nove estados brasileiros: Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Maranhão, Tocantins e parte do Mato Grosso, representando mais de 61 % do Território Nacional.
O Amazonas é o maior estado da Amazônia e também do Brasil, com mais de 1,5 milhão de km². Muito maior que vários países da Europa como Portugal, Inglaterra, Holanda ou Alemanha, por exemplo.
O vale amazonense é, ao sul, ainda abastecido pelos rios que descem do Planalto Central brasileiro e dos que vêm da região das Guianas ao norte, e pelos filetes de água gelada que se desprendem da corcova andina, fazendo com que termine por assumir - como constatou o geólogo americano C.F. Marbut, que o visitou em 1923 -, a forma de um leque, pelo qual escorre 1/5 da água doce do planeta. O ensaísta nortista Raymundo Moraes, por sua vez, considerou-o, ao vale, semelhante a um anfiteatro, o anfiteatro amazonense.
Devido a sua inacessibilidade, insalubridade e as dificuldades para explorá-la economicamente, a Amazônia é uma das áreas mais subpovoadas do globo.
É um Deserto Verde, pertencente a uma época em que a Terra ainda amanhecia, abrigando uma das populações mais primitivas que se conhece - o homem neolítico em estado puro.
Para outros, como Pedro de Rates Hanequim, que viveu por mais de vinte anos no Brasil, havia sido a morada de Adão e onde se encontrava a Árvore da Vida.
Tanta certeza tinha ele de ter habitado o Paraíso Terreal -, sendo o Amazonas o maior rio do Éden -, que, ao voltar a Portugal, deixou-se processar e executar - "afogado e queimado" - em 1744, por ordem de um Tribunal do Santo Ofício pelo crime de heresia e apostasia, sem jamais ter pedido clemência.
As primeiras notícias que os espanhóis tiveram da existência de uma imensa região de selvas existentes depois dos Andes, foi-lhes dada pelos próprios nativos em Quito e em Cuzco. Graças a sua fantasia de homens medievais, os conquistadores imaginaram logo que a floresta abrigava o El Dorado, uma serra repleta de ouro puro.
Bastava chegar lá e carregar o que pudessem. É certo que o grande rio já era conhecido desde que Vicente Pinzón navegou na sua foz, em 1500, chamando-o de Mar Dulce, mas quem primeiro organizou uma expedição partindo de Quito foi Gonzalo Pizarro, irmão do conquistador do Peru.
Partindo de Quito, em 1541, numa expedição com 150 soldados, 4 mil índios e 3 mil animais de tropa, inclusive com alpacas e lhamas, Gonzalo consegui transpassar os Andes por dificílimos caminhos chegando às cabeceiras do Rio Amazonas.
As dificuldades encontradas fizeram com que destacasse, num barco lá mesmo construído, a que Francisco Orellana desse prosseguimento ao projeto. A exploração teve seguimento até que atingiu a desembocadura do grande rio no Atlântico, em 1542, depois de ter percorrido seus 5.825 km.
Deve-se a Orellana sua denominação. Deparando-se, nas margens do rio, com um grupo de belicosas índias que acompanhavam os homens em combate, chamou-as de amazonas, confundindo-as com as antigas guerreiras da mitologia grega.
Ao retornar à Espanha, Orellana conseguiu ser nomeado adelantado, organizando uma nova sortida que o levou ao naufrágio e morte a bordo de um bergantim , provavelmente nas proximidade de Macapá, em 1550.
Em fins do século XV, as duas superpotências da época, Portugal e Espanha, com as bençãos da Igreja Católica, acordaram pelo tratado de Tordesilhas a divisão das terras por descobrir, onde atualmente se situam a África e as Américas. Pelo combinado, grande parte do que se conhece hoje por Amazônia brasileira tocaria aos espanhóis.
Não demorou muito para que outros desbravadores viessem instalar feitorias na região amazônica, preferencialmente na embocadura do grande rio e circunvizinhanças. A presença dos heréticos ingleses e holandeses nas Guianas seguiu-se pela dos franceses no Golfão do Maranhão, onde fundaram o forte de São Luís em 1612.
As autoridades do Reino Unido (entre 1580-1640, Espanha e Portugal estavam sob o mesmo governo), decidiram-se expulsar os franceses de São Luís e fixar-se em definitivo no estuário amazônico.
A cidade caiu em mãos portuguesas em 1615 e, no ano seguinte, em 16 de janeiro de 1616, o capitão-mor Caldeira Castelo Branco fundou, na região que denominou de Lusitânia Feliz, o Forte Presépio de Belém, a casa forte que deu origem a capital do Pará.
Cidade essa, na baia de Guará, que se tornou na sentinela da embocadura do Grande Rio e no trampolim para a conquista da Amazônia.
Uma longa guerra - comercial e ideológica - travou-se na região até que em 1697 afirmaram-se mais ou menos as fronteiras entre os interesses holandeses, ingleses e franceses de um lado, do lado das Guianas, e os lusitanos do outro, do lado do Amapá, tendo o cabo Orange, no Rio Oiapoque como o acidente divisor.
O acordo celebrado no tratado de Lisboa de 1701. As portas do Amazonas, desde então, abriam-se exclusivamente aos navegantes portugueses. Em 1639 o capitão Pedro Teixeira, partindo do Rio Tocantins, atingiu a extremidade da sua investida no Rio Napo, seguindo dali até Quito, no Equador. Paralelo aos capitães e desbravadores privados, assentaram-se as missões de jesuítas, franciscanos, mercenários, carmelitas e seculares, que se espalharam pelas vastas áreas entre o Rio Solimões e o Tapajós.
Os missionários foram convocados para catequizar os gentios e também evitar a possível influência dos hereges protestantes. A orientação das ordens religiosas, por lá já encontradas em 1570, era que aldeassem os nativos, geralmente dispersos em amplos territórios e divididos entre as nações tupinambás, urubus, gamelas, timbiras, apinajés, jurunas, caiapós, carajás, aimorés, munducurus, tapajós, aruaques, turumás, murás, jurimaguás, omáquas, manaus, barés e ianomâmis, para melhor evangelizá-los.Quase que imediatamente iniciou-se um conflito entre as tropas de resgate chefiadas por mamelucos escravagistas e os padres, que se estendeu por mais de século, na luta pelo braço indígena.
Os religiosos desejavam-nos orando a Deus e a Cristo, os colonos queriam-nos no trabalho, suando sobre a lavoura e a extração.
Os sacerdotes, mais influentes, conseguiram uma série de decretos, provisões, leis e alvarás reais atribuindo-lhes autoridade sobre os nativos e proibindo sua escravidão, tal como a lei de 30 de julho de 1609, que determinava que “fossem os índios tratados como pessoas livres, sem serem constrangidos a executar serviços contra a vontade”, desde que lhes divulgassem a fé. O que, obviamente, poucas vezes foi obedecida. Como defensor da causa dos gentios destacou-se o Pe. Antônio Vieira, o grande sermonista, que desembarcou no Maranhão em 1653, a quem logo os nativos chamaram de paiacu, o grande pai.
Seguiram-se outras expedições espanholas com finalidade exploratória, até que franceses tentassem, no norte do Brasil, estabelecer a França Equinocial.
A expulsão do invasor do Maranhão alertou os portugueses para a importância da região contígua: a Amazônia. Como conseqüência, Francisco Caldeira Castelo Branco fundou, em 1616, na foz do grande rio, o Forte do Presépio, origem da atual cidade de Belém. A Amazônia começava a ser brasileira.
É bem verdade que a União das Coroas Ibéricas, a partir de 1580, tornando letra morta a linha de Tordesilhas, facilitara as coisas para Portugal. Afinal de contas, só havia um rei e senhor, o da Espanha; e todas as terras lhe pertenciam. Astutamente, os portugueses se valeriam dessa circunstância histórica para ampliar, o mais a Oeste possível, suas terras na América.
Em 1640 Portugal recuperou a independência e a Espanha voltou a ser adversária. Isso fez com que novos fortins fossem instalados nas margens do Solimões e nos encontros dos rios, como o forte de São José do Rio Negro, em 1699, onde bem mais tarde, nas suas proximidades, surgiu Manaus.
Esse período foi marcado pela penetração extrativista e coletora atrás das “drogas do sertão” e, também pela captura, por bandeirantes vindos do Sul, da mão de obra indígena tornada escrava. A resistência dos padres ao costume das repartições onde os índios eram divididos entre os reinóis, agravada pela pratica monopolista da Companhia de Comércio do Maranhão e Grão-Pará, ativada em 1682, fez com que uma revolta eclodisse no Maranhão, a rebelião - antijesuítica e antimonopolista - do senhor de engenho Manuel Beckmann, a revolta de Bequimão, que morreu executado em 1685.
Duas expedições – verdadeiras epopéias - foram decisivas na conquista da Amazônia portuguesa: a de Pedro Teixeira e a de Raposo Tavares. Em 1637, o Capitão Pedro Teixeira, à frente de uma expedição cujo efetivo chegava a cerca de 2.500 pessoas, lançou-se para Oeste, contra a correnteza, pela calha do rio Amazonas, com a finalidade de reconhecer e explorar a região e colocar marcos de ocupação portugueses, até aonde pudesse chegar.
E assim foi feito. Valendo-se do conhecimento e da adaptação à selva de mais de um milhar de índios, levou a cabo sua penosa missão, tendo chegado a Quito, na América Espanhola. Tal empreitada, que durou cerca de 2 anos, constitui feito memorável e de suma importância para o reconhecimento, com base no "Uti-possidetis", da presença portuguesa na Amazônia.
Outro grande desbravador da região foi Raposo Tavares. Saindo de São Paulo, em 1648, pela tradicional via de acesso do rio Tietê, atingiu o rio Paraguai, daí o Guaporé, o Madeira e finalmente o Solimões-Amazonas, o qual navegou até Gurupá, no atual estado do Pará, de onde retornou a São Paulo. Três anos foram consumidos nessa jornada reveladora do espírito aventureiro do Bandeirante. Muitas outras entradas e bandeiras foram empreendidas pelos luso-brasileiros aos rincões da Amazônia, seja em busca do tão sonhado El Dorado.
Somente em 1750 pelo Tratado de Madri, Espanha e Portugal acordaram em relação às suas fronteiras. De Lisboa o Marques do Pombal, o todo-poderoso primeiro-ministro (1756-1777), enviara já o seu irmão Mendonça Furtado, em 1751, para supervisionar os negócios da companhia monopolista na Amazônia. A época do despotismo representada por Pombal na Metrópole e seu irmão no Grão-Pará, como politicamente denominou-se a região do Amazonas, foi extremamente ativa.
Os jesuítas que lá estavam desde 1607 foram expulsos em 1760. Novas lavouras foram introduzidas, como a do algodão, a do tabaco, a da cana-de-açúcar e a do café (trazido por Palheta).
Lusitanizou-se o nome das cidades, abandonando-se a toponímica brasílica, e a língua portuguesa foi ensinada. “Liberou-se os silvícolas” do seus encargos nos aldeamentos, bem como um pequeno número de colonos açoritas foi distribuído entre Belém e Santarém para viabilizar os empreendimentos.
Administrativamente a região sofreu uma reforma: pelo ato régio de 20 de agosto de 1772, dividiu-se o antigo Estado do Grão-Pará - existente desde 1618 -, entre o Estado do Maranhão e Piauí (com capital em São Luís) e o Estado do Grão-Pará e do Rio Negro (atual estado do Amazonas, com sede em Belém). Ambos subordinados diretamente à Lisboa. A integração política da Amazônia com o resto do Brasil só deu seus primeiros passos com a instalação da Corte joanina no Rio de Janeiro em 1808, quando então as duas capitais Belém e Manaus se lhe subordinaram.
Os portugueses, dentro de um rígido mercantilismo, sempre mantiveram uma política de clausura das colônias. A Amazônia não foi exceção. Nem quando o célebre naturalista alemão Alexander von Humboldt visitou a América (dele é a expressão hiléia amazônica), entre 1799-1804, permitiram que ele penetrasse no lado português da floresta.
Essa política começou a ser reformada em 1808 com a vinda da família real para o Brasil, e com o decreto da Abertura dos Portos às Nações Amigas. No império começaram a chegar inúmeros naturalistas, entre eles Auguste Saint-Hilaire e os austríacos Spix e Martius que coletaram vastas informações sobre a botânica amazonense.
Mas o imperador D. Pedro II, apesar das pressões internacionais, negou-se, pelo menos até 7 de setembro de 1867, a liberar a navegação do grande rio aos estrangeiros, tarefa que desde 1853 estava ao encargo de uma empresa do Barão de Mauá. Três anos antes, em 1850, a região, numa outra reforma administrativa, criara-se a Província do Amazonas, separando-a do Grão-Pará, tendo Manaus como sua capital.
As ações dos luso-brasileiros que conduziram à conquista e à manutenção da Amazônia - hoje patrimônio incontestável do povo brasileiro - constituem uma das mais belas páginas de nossa história.
Conquistada a custo de sofrimentos e sacrifícios, a Amazônia precisava agora ser mantida. Era de se esperar que, além dos espanhóis, franceses, holandeses e ingleses, não se conformassem, pacificamente, com a posse portuguesa da Amazônia. E assim foram à luta. Os últimos tentaram se estabelecer, na margem Norte, junto à foz. Quanto aos espanhóis pressionaram de Oeste para Este, pretendendo conduzir suas ações ao sabor da correnteza. Foi aí que se depararam com as sentinelas de pedra, os fortes da Amazônia, erigidos pelos luso-brasileiros para barrar-lhes o caminho.
Fiéis ao sábio princípio militar de que quem domina a embocadura de um rio domina seu curso, os portugueses estabeleceram suas fortificações na Amazônia em posições estratégicas, ao longo das vias fluviais, em sítios privilegiados para os defensores. Foi a partir das pranchetas rudimentares de seus engenheiros que os luso-brasileiros começaram a ganhar a guerra pela manutenção da Amazônia.
Entre os mais importantes, além do já mencionado Forte do Presépio, desempenharam papel de fundamental importância para a consolidação da conquista da Amazônia portuguesa, os Fortes de São José do Rio Negro, de Gurupá, de Macapá, de São José de Marabitanas, de São Gabriel das Cachoeiras, de São Joaquim, de São Francisco Xavier de Tabatinga e Príncipe da Beira, entre outros.
Centenas de anos antes de a Amazônia virar bandeira ambientalista do mundo inteiro, a região já despertava o interesse de vários países. Naquele tempo, embora já existissem o boto cor-de-rosa, o peixe-boi, as plantas típicas e a grande biodiversidade de espécies, havia outra preocupação muito menos ecológica: o extrativismo vegetal, que impulsionava a ocupação e o povoamento da Amazônia.
Como o guaraná, o urucum e alguns tipos de pimenta rendiam bons lucros no mercado internacional e eram alguns dos produtos monopolizados pela metrópole.
A Amazônia é ocupada por reserva florística e a outra é representada pela água. O acesso à região é feito principalmente por via fluvial ou aérea. O clima é equatorial úmido, com temperatura média/dia/anual de 26,7 ºC, com variações médias entre 23,3 ºC e 31,4 ºC. A umidade relativa do ar fica em torno de 80% e possui apenas duas estações bem definidas: chuvosa (inverno) e seca ou menos chuvosa (verão).
Diferentemente do que se tem divulgado, a Região Amazônica não é uma vasta planície, mas sim uma peneplanície, notada pelas elevações que se podem observar próximas às calhas, como as serras de Maraguases e Maracaçu, em Parintins, as da Lua e outras antes do altiplano guianense.
É no Estado do Amazonas que se encontram os pontos mais elevados do Brasil: o Pico da Neblina, com 3.014 metros de altitude, e o 31 de Março, com 2.992 m de altitude, ambos na fronteira.
Sofrendo influência de vários fatores com precipitação, vegetação e altitude, a água forma na região a maior rede hidrográfica do planeta. Os rios amazonenses são, praticamente, navegáveis durante todo o ano. Outros como o Negro, Alto Madeira, Urubu, Aripuanã, Branco e Uaupés são obstruídos pelas formações em degraus, o que não impede sempre a navegação ordinária, salvo as corredeiras do Alto Madeira e a famosa cachoeira das Andorinhas, no rio Aripuanã. O rio mais encachoeirado é o Negro.
O rio Amazonas é internacionalmente conhecido como o maior do mundo em volume de água, tem o curso calculado em 6.300 quilômetros. Seu arco atlântico tem a extensão de 400 quilômetros. Nasce presumivelmente na lagoa Santana (Andes Ocidentais), onde sua bacia de recepção é um rio de geleira.O segundo rio mais importante da bacia amazônica é o Negro. Ele também foi descoberto por Francisco Orelhana, em 3 de junho de 1541. Sua nascente fica na Colômbia, aos 2° de latitude norte, na região de Popaiã. Tem 1.551 quilômetros de curso, dos quais cerca de 50 obstruídos por corredeiras e saltos medíocres. Dos rios amazonenses é o que possui o maior aglomerado de ilhas no curso inferior, o arquipélago de Anavilhanas, verdadeiro labirinto onde se perdem pilotos experimentados.
O rio Amazonas corre pelo norte da América do Sul, em sua maior parte em território do Brasil; é o mais longo rio do mundo, uma vez que nasce no nevado Mismi, na cordilheira de Chila, nos Andes do sul do Peru, o que lhe dá uma extensão de quase 7.100 km. Esse número ainda não é preciso, pois os geógrafos não chegaram a uma conclusão a respeito de qual de dois cursos de água, ambos nascidos no mesmo Nevado, é o verdadeiro ponto de partida. A real extensão do Amazonas foi estabelecida pela primeira vez pelo Instituto Geográfico Nacional do Peru, no início da década de 1980. Em 1994, uma expedição organizada pelos brasileiros Paula Saldanha e Roberto Werneck seguiu o curso do rio desde sua foz, no Atlântico, até sua nascente nos Andes, comprovando os dados dos geógrafos peruanos; e desde 1995 o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) do Brasil tem analisado fotos de satélite da região, chegando à mesma conclusão.
Uma expedição organizada em 1986 pela National Geographic Society, dos Estados Unidos, tomando como nascente o curso de água que se origina no monte Huagra, já tinha calculado a extensão do Amazonas em 7.025 km, o que seria suficiente para reconhecê-lo como mais comprido que o Nilo e o Mississippi-Missouri.
O rio nasce com o nome de Apurimac a 5.500 m de altura, no departamento peruano de Arequipa, descendo as encostas da montanha até unir-se ao Urubamba, na divisa dos departamentos de Junín e Ucayali, para formar o rio desse nome; já na região das florestas equatoriais, o Ucayali se une ao rio Marañón (perto da cidade de Nauta, no departamento de Loreto) e forma o Amazonas peruano.
Ao entrar em território brasileiro o Amazonas é chamado de Solimões até 30 km a leste de Manaus, onde recebe as águas do rio Negro e recupera seu nome principal. Nos 1.900 km desde sua nascente até a planície na selva peruana, o rio realiza uma descida de 5.440 m; nos 5.200 km restantes, até o Atlântico, o desnível é de apenas 60 metros.
Os 3.700 km desde a foz até Iquitos, na Amazônia peruana, são navegáveis para navios de grande calado. Se considerados seus principais afluentes e os trechos navegáveis por embarcações menores, a bacia amazônica representa uma rede de 25.000 km de vias fluviais.
Em seu percurso, o Amazonas recebe quase 7.000 afluentes, que em conjunto ocupam uma área de quase 4 milhões de quilômetros quadrados. Os sedimentos arrastados pelas águas totalizam 800 milhões de toneladas por ano, e esses fragmentos de montanhas andinas são carregados pela correnteza até 200 km dentro do Atlântico, indo depositar-se na costa da Guiana Francesa, frente a Caiena.
A variação média da altura das águas é de 10 m, entre a estação seca e a chuvosa, mas diante de Manaus essa diferença pode ser de 16 m, fazendo com que a distância entre as margens aumente de 13 para 50 km.
Na altura de Óbidos (PA), o Amazonas apresenta sua menor largura, com 1.800 m, mas ali também se registra a maior profundidade (50 m); sua vazão nesse ponto é de 200 mil metros cúbicos por segundo.
A Amazônia é considerada a área de maior extensão de floresta tropical do mundo, representando 40% do total ainda existente do planeta.
Com a maior floresta tropical úmida do mundo, a mais extensa rede fluvial do planeta e com o maior volume de água doce disponível na Terra, a Amazônia presta valiosos serviços ambientais ao regular a quantidade de gás carbônico na atmosfera e orquestrar a distribuição de chuvas em quase metade da América Latina.
Localizada à altura Equador, a Amazônia tem o clima quente e úmido. As chuvas são muito abundantes e, em certos períodos, provocam enchentes, inundando vastas regiões e fertilizando a terra. Normalmente as estações do ano são divididas em inverno, quando chove mais e verão quando a pluviosidade é menor.
A biodiversidade da região é tamanha que não há outro lugar com variedade tão grande de espécies, com características próprias bem marcadas.
Muitos dos animais da região servem como controladores naturais de pragas, dispersores de sementes, além de serem responsáveis pela polinização de uma grande variedade de plantas.
A Bacia Hidrográfica Amazônica é a maior do mundo, com quase 4 milhões de km² de extensão em terras brasileiras. Somente na porção brasileira, abrange 10 dos maiores rios do mundo, entre os quais o lendário Rio Amazonas, com 7.025 quilômetros de extensão desde a Nascente, na Cordilheira dos Andes, no Peru, até a sua foz no Oceano Atlântico.
O suficiente para reconhecê-lo como mais comprido que o Nilo. Considerando os trechos navegáveis por embarcações pequenas e seus principais afluentes, a bacia amazônica apresenta uma rede de 25.000 km de vias fluviais.
A natureza presenteou ainda a capital do Amazonas com o belo espetáculo do encontro das águas escuras do Rio Negro com as águas barrentas do Rio Solimões, bem em frente à cidade de Manaus.
O contraste das cores dos rios se estendem por vários quilômetros, até se misturarem formando o Rio Amazonas. Além dos rios e seus afluentes, a hidrografia da região reserva ainda os dois maiores arquipélagos fluviais do mundo: o de Anavilhanas e o de Mariuá.
Não se pode confirmar exatamente desde quando a Amazônia é habitada, mas sabe-se que desde antes da chegada dos europeus, no século XVI, os índios já viviam na região.
Desses mais de 500 anos de história, a formação populacional da Amazônia, assim como a brasileira, preserva ainda hoje características da grande miscigenação entre as diversas raças.
Herança da colonização européia, o brasileiro, e o povo amazônico, em particular, apresentam traços do índio, o branco e o negro, como nenhum outro no mundo. Ribeirinhos, índios, seringueiros, garimpeiros, pescadores, operários, executivos.
Com cerca de 20 milhões de pessoas vivendo nos nove estados da Amazônia Legal, a densidade demográfica é de cerca de 3,4 habitantes por Km2, com 62% da população vivendo nos centros urbanos. Manaus, considerada a maior cidade da Amazônia, de acordo com o Censo 2000, possui população de mais de 1,4 milhão de pessoas.
A Amazônia fica ao norte da América do Sul e atinge parte do território de nove países, dentre estes: Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. A Amazônia brasileira abrange os Estados do Pará, Amazonas, Maranhão, Goiás, Mato Grosso, Acre, Amapá, Rondônia e Roraima, compreendendo uma área de 5.033.072 Km2, o que corresponde a 61% do território brasileiro.
Só a Amazônia brasileira é sete vezes maior que a França e corresponde a 32 países da Europa Ocidental. A ilha de Marajó, que fica na embocadura do rio, é maior que alguns países como a Suíça, a Holanda ou a Bélgica.
A Amazônia abriga mais de 200 espécies diferentes de árvores por hectare, 1.400 tipos de peixes, 1.300 pássaros e 300 de mamíferos, totalizando mais de 2 milhões de espécies, a Amazônia representa um terço de toda a área de florestas tropicais do mundo e é essencial para o clima e a diversidade biológica do planeta.
Com uma população estimada em cerca de 16, 5 milhões de pessoas das quais, 62% vivem na zona urbana e 38% na zona rural. Das doenças parasitárias da população, a malária é a principal endemia. Verificou-se em Porto Velho 90% do total; Boa Vista 82%; Macapá e Rio Branco 22%, Manaus 14%; Palmas 11%, Cuiabá 6% e Belém 0,2%;
A principal fonte de alimentação da população na região (interior) é o peixe. Segundo dados do INPA, existem cerca de 3.000 espécies de peixes na Amazônia, porém, estudos da pesca no Estado do Amazonas mostraram que apenas 36 espécies são exploradas. 90% da pesca é representado por 18 espécies, mas 61% é de 4 espécies: tambaqui (18%), Jaraqui (32%), Curimatã (11%) e pacus (5%);
Quanto aos Rios, existem basicamente três tipos: de água branca (Solimões, Amazonas, Madeira...); água preta (Negro, Urubu...); água clara (Tapajós, Trombetas...).
O clima amazônico é caracterizado por umidade elevada durante todo o ano. Valores de Umidade Relativa (U.R) de 90% e até mesmo 99% são freqüentemente encontrados e, em certas regiões essas taxas de U.R elevadas estão associadas à temperatura de + 30º C a + 35º C, o que implica em uma quantidade considerável de água por metro cúbico de ar, típica de floresta equatorial. A temperatura média anual é de 28ºC. As temperaturas extremas oscilam entre 14º C e 42º C.
As chuvas são muito abundantes (entre 3500 e 6000 mm/ano) e, em certos períodos, a precipitação pluviométrica pode ser de tal ordem que o escoamento natural não é capaz de impedir o acúmulo de consideráveis volumes de água, provocando enchentes nos rios e inundando vastas regiões. Assim esclarece Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA e Sistema de Vigilância da Amazônia – SIVAM
Na Floresta Amazônica destacam-se basicamente três ecossistemas, de acordo com o relevo da região em que se localizam. Em áreas permanentemente inundadas, com as matas de igapó, crescem vegetações típicas de trepadeiras e árvores com até 20 metros de altura. As faixas de várzea, que permanecem inundadas apenas durante um período do ano. E o relevo das planícies de terra firme, onde há as formações vegetais de até 60 metros de altura, e livre das inundações.
O solo da região é caracterizado pela pobreza de nutrientes, porém, protegido pela cobertura vegetal, de onde se abastece com nutrientes oriundos da decomposição das folhas, troncos e raízes.
A Bacia Amazônica é a maior bacia hidrográfica do mundo, concentrando 10 dos maiores rios do planeta e 1/5 da água doce da Terra. O complexo é o maior sistema de água doce do mundo, com aproximadamente 7.000.000 km² de área de drenagem, incluindo o rio Tocantins.No total 64,88% se encontram no território brasileiro. A Colombia possui(16,14%), a Bolívia (15,61%), o Equador (2,31%), a Guiana (1,35%), o Peru (0,60%) e Venezuela possui (0,11%).
A bacia está limitada a Oeste pelos Andes, ao Norte pelo Escudo das Guianas, ao Sul pelo Maciço Central Brasileiro e a Leste, deságua no Oceano Atlântico. Suas nascentes estão localizadas na Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia. No Brasil, abrange os Estados do Amazonas, Pará, Amapá, Acre, Roraima Rondônia e Mato Grosso.
Entre os principais afluentes da margem esquerda encontram-se o Japurá, o Negro e o Trombetas; na margem direita, o Juruá, o Purus, o Madeira, o Xingu e o Tapajós. A Bacia Amazônica é fortemente influenciada pela sazonalidade das chuvas, que começam entre novembro-dezembro na região ao sul do Equador e uns meses mais tarde ao norte desse País e se estendem por 4 a 5 meses. O principal sistema fluvial é o rio Amazonas que possui uma descarga média final de 175.000 m3, que representa 20% do total de águas doces do mundo que chegam aos oceanos.
As constantes chuvas que caem na região também contribuem para a formação de centenas de pequenos rios e igarapés. O nível das águas do maior rio da bacia, o Amazonas, sobe gradualmente de novembro a junho, quando começa a descer até fins do penúltimo mês do ano. Alguns rios da Bacia Amazônica têm águas pretas, como o Negro, que variam do tom oliva a castanho-café. As águas assumem estas cores por terem menos 5mg/l de partículas em suspensão. Os rios como o Tapajós tem águas chamadas de claras, mas que, na verdade, variam do amarelo-esverdeado até o oliva e que, às vezes, apresentam-se transparentes. As chamadas águas brancas, como as do Rio Solimões, são barrentas e túrbidas devido a elevada carga de partículas em suspensão - entre 40 e 300 mg/l.
A Economia se desenvolveu com a preocupação de inserção da Amazônia ao contexto brasileiro. A ocupação humana que se intensificou na segunda metade do século XIX durante o “ciclo da borracha”, não ameaçava diretamente aquele equilíbrio uma vez que não precisava retirar as árvores; a economia coletora dos seringueiros, assim como a extração das chamadas “drogas do sertão”, destinadas à produção de medicamentos, harmonizava-se com o equilíbrio ecológico.
Essa economia combinava com uma reduzida criação de gado nas áreas abertas e a existência de pouquíssimos centros urbanos de certa importância, como Iquitos, Leticia, Manaus, Óbidos, Santarém e Belém do Pará.
1- Aspectos primários - históricos e geográficos
Violeta Refkalefsky Loureiro, mestre em Sociologia pela Unicamp, doutora em Sociologia pelo Institut des Hautes Études de l'Amérique Latine (Paris) e professora da Universidade Federal do Pará, afirma que primeiro europeu a pisar as terras amazônicas, o espanhol Vicente Pinzon em janeiro de 1500, percorreu a foz do Amazonas, conheceu a ilha de Marajó e surpreendeu-se em ver que se tratava de uma das regiões mais intensamente povoadas do mundo então conhecido. Ficou perplexo vendo a pororoca e maravilhado com as águas doces do mais extenso e mais volumoso rio do mundo. Foi bem acolhido pelos índios da região. Mas, apesar de fantástica, sua viagem marca o primeiro choque cultural e o primeiro ato de violência contra os povos da Amazônia: Pinzon aprisiona índios e os leva consigo para vender como escravos na Europa.
A viagem de Orellana (em 1549) instaura o momento fundador dos primeiros mitos, como o das Amazonas — índias guerreiras, bravas habitantes de uma aldeia sem homens. Outros viajantes, aventureiros e exploradores que procuravam riquezas espalharam mundo afora mitos e fantasias. De todos, o mito mais persistente parece ter sido sempre o da superabundância e da resistência da natureza da região: florestas com árvores altíssimas que penetravam nas nuvens, frutos e flores de cores e sabores indescritíveis, rios largos a se perderem no horizonte (povoados de monstros engolidores de navios nas noites escuras), animais estranhos e abundantes por todo o chão; pássaros cobrindo o céu e colorindo-o em nuvens de penas e plumas de todas as cores.
A Amazônia fica na América do Sul e é um continente que compreende a porção meridional da América. Sua extensão é de 17.819.100 km², abrangendo 12% da superfície terrestre, porém só tem 6% da população mundial. Une-se à América Central, ao norte, pelo istmo/canal do Panamá.
Tem uma extensão de 7.400 km desde o mar do Caribe até o cabo Horn, ponto extremo sul do continente. Os outros pontos extremos da América do Sul são: ao norte a Punta Gallinas, na Colômbia, ao leste a Ponta do Seixas, no Brasil, e a oeste a Punta Pariñas, no Peru. Seus limites naturais são: ao norte com o mar do Caribe; a leste, nordeste e sudeste com o oceano Atlântico; e a oeste com o oceano Pacífico.
Originalmente foi povoado por ameríndios e alguns povos de culturas sofisticadas, principalmente os incas. A maior parte da América do Sul foi colonizada pela Espanha e Portugal. A reivindicação espanhola se baseava nas descobertas de Cristóvão Colombo; em sua terceira viagem (1498) ele navegou ao longo da costa venezuelana e aportou em Trinidad.
Em 1500, o explorador português Pedro Álvares Cabral desembarcou no atual estado da Bahia e se apossou desse território em nome de Portugal. O Brasil português e o vice-reinado espanho do Peru constituíam as duas principais jurisdições administrativas da América do Sul nos séculos XVI e XVII.
No século XVIII subdividiu o Peru, acrescentando dois vice-reinados, Nova Granada (1717) e Rio da Prata (1776). No século XVII, Inglaterra, França e Holanda também estabeleceram colônias na costa nordeste do continente. O povoamento inicial foi pelo litoral, e até hoje os centros urbanos estão concentrados próximo à costa e não no interior do continente.
Em 1816 e 1825 a maior parte da América do Sul espanhola se tornou independente, sob a liderança de Simón Bolívar e José de San Martín, e conseqüentemente dividiu-se em países: Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai.
O Brasil se tornou independente de Portugal em 1822. A Guiana Inglesa se tornou Guiana independente em 1966, Suriname, colônia holandesa, teve sua independência em 1975, mas a Guiana Francesa ainda continua sob domínio francês.
O continente permaneceu politicamente independente na maior parte do século XIX, principalmente graças à doutrina Monroe, que evitou a expansão européia. Ao mesmo tempo, recebeu cerca de 15 milhões de imigrantes provenientes da Europa, e sofreu influências culturais e ideológicas tanto dos Estados Unidos quanto da Europa.
Investimentos econômicos consideráveis foram feitos, principalmente pelo Reino Unido, na produção primária, como mineração e carne, levando esses mercados à dependência. O continente é predominantemente católico romano; No século XIX e princípio do século XX a Igreja ocupou posição política e social importante e exerceu força conservadora.
Recentemente, suas posições foram contestadas por padres do movimento da Teologia da Libertação, que visavam o engajamento político da Igreja em prol dos pobres e destituídos. A rápida urbanização superou a oferta de emprego e moradia. Como esforço para estimular o comércio e produção, formaram-se grupos econômicos como o Mercado Comum Centro-Americano (MCCA), Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC) (1960), e a Associação Latino-Americana de Desenvolvimento e Intercâmbio (ALADI) (1981).
Projetos de desenvolvimento superdimensionados e a elevação dos preços do petróleo na década de 1970 sobrecarregaram muitos países sul-americanos com dívidas que suas economias altamente dependentes dos mercados financeiros mundiais não tiveram condições de honrar. Desde 1º de janeiro de 1995 vigora o Mercosul (Mercado Comum do Sul), que pretende extinguir gradativamente a fronteira econômica entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
A América do Sul possui vastos recursos naturais e graves problemas econômicos e sociais. Nas décadas de 1960 e 1970, a maior parte dos países sul-americanos estava submetida a ditaduras militares, geralmente apoiadas pelos Estados Unidos da América. Turbulências políticas continuam, a despeito da democratização iniciada na década de 1980. Em razão do alto endividamento externo e interno, vários países sul-americanos aplicam as políticas do Fundo Monetário Internacional (FMI), que comprimem as contas públicas mas não eliminam as crises.
Nos últimos anos, essa parte do continente vive uma chamada "onda de esquerda". Em vários países, presidentes considerados de esquerda são eleitos, em contraste com a situação vivida em décadas recentes. Essa onda começou com Hugo Chávez, que ganhou as eleições na Venezuela em 1998. Depois, foi a vez de Luís Inácio Lula da Silva, no Brasil (2002), Néstor Kirchner, na Argentina (2003), Tabaré Vázquez, no Uruguai (2004), Evo Morales, na Bolívia (2005), e Michelle Bachelet, no Chile (2006).
Com 17,8 milhões de quilômetros quadrados, a América do Sul une-se à América do Norte pelo istmo da América Central e separa-se da Antártica pelo estreito de Drake. A porção oeste é ocupada pela cordilheira dos Andes, cujo ponto mais alto é o monte Aconcágua, com 6.960 metros.
As planícies centrais abrigam a bacia hidrográfica do Orinoco, a Amazônica e a do Prata. Na região norte, onde o clima é equatorial, encontram-se florestas tropicais úmidas. Os rios que descem a cordilheira dos Andes em direção ao oceano Pacífico são, em geral, curtos, enquanto os que correm em direção ao Atlântico, extensos, como o Amazonas, Tocantins, São Francisco, Paraná e da Prata.
Nas áreas mais secas do centro localiza-se o cerrado. O sul possui faixas áridas, como o deserto do Atacama, e uma zona temperada, ocupada por florestas tropicais e pelos pampas argentinos. De acordo com o World Resources Institute, a América do Sul preserva quase 70% de suas florestas. A maior mata nativa é a da Amazônia, seguida das florestas temperadas do Chile e da Argentina.
A América do Sul tem 380 milhões de habitantes. Vazios demográficos (como as florestas tropicais, o deserto de Atacama e as porções geladas da Patagônia) convivem com regiões de alta densidade populacional, como os centros urbanos de São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Lima e Santiago. A população é formada principalmente por descendentes de europeus (em especial espanhóis e portugueses), africanos e indígenas. Há alta porcentagem de mestiços. As principais línguas são o espanhol e o português.
A indústria está concentrada no beneficiamento de produtos agrícolas e na produção de bens de consumo. No Brasil e na Argentina encontra-se mais diversificada, abrangendo setores como extração e refino de petróleo, siderurgia, metalurgia, química e automobilística, entre outras. O Brasil é responsável por cerca de três quintos da produção industrial sul-americana. A mineração inclui a extração de petróleo (com destaque para a Venezuela), cobre, estanho, manganês, ferro, zinco, chumbo, alumínio, prata e ouro. A agricultura é intensiva nas áreas tropicais, onde há culturas voltadas para a exportação (café, cacau, banana, cana-de-açúcar, algodão e cereais). A pecuária é praticada em larga escala no sul e no centro.
O site Portal Amazônia esclarece que a Amazônia é a maior região florestal e hidrográfica do mundo. Ocupa grande parte hemisfério setentrional da América do Sul, correspondendo à parte brasileira a 42% do território nacional. Estende-se das margens do Oceano Atlântico no leste, até o sopé da Cordilheira dos Andes no oeste. Espalha-se pelas Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia, perfazendo mais de 6 milhões de km2.
A Floresta Amazônica está localizada na Região Norte do Brasil, e possui uma área de cerca de 5,5 milhões de km². Fazendo parte de nove países: Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa, é a maior floresta tropical úmida do planeta e com a maior biodiversidade. No Brasil, a Amazônia Legal se estende por nove estados brasileiros: Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Maranhão, Tocantins e parte do Mato Grosso, representando mais de 61 % do Território Nacional.
O Amazonas é o maior estado da Amazônia e também do Brasil, com mais de 1,5 milhão de km². Muito maior que vários países da Europa como Portugal, Inglaterra, Holanda ou Alemanha, por exemplo.
O vale amazonense é, ao sul, ainda abastecido pelos rios que descem do Planalto Central brasileiro e dos que vêm da região das Guianas ao norte, e pelos filetes de água gelada que se desprendem da corcova andina, fazendo com que termine por assumir - como constatou o geólogo americano C.F. Marbut, que o visitou em 1923 -, a forma de um leque, pelo qual escorre 1/5 da água doce do planeta. O ensaísta nortista Raymundo Moraes, por sua vez, considerou-o, ao vale, semelhante a um anfiteatro, o anfiteatro amazonense.
Devido a sua inacessibilidade, insalubridade e as dificuldades para explorá-la economicamente, a Amazônia é uma das áreas mais subpovoadas do globo.
É um Deserto Verde, pertencente a uma época em que a Terra ainda amanhecia, abrigando uma das populações mais primitivas que se conhece - o homem neolítico em estado puro.
Para outros, como Pedro de Rates Hanequim, que viveu por mais de vinte anos no Brasil, havia sido a morada de Adão e onde se encontrava a Árvore da Vida.
Tanta certeza tinha ele de ter habitado o Paraíso Terreal -, sendo o Amazonas o maior rio do Éden -, que, ao voltar a Portugal, deixou-se processar e executar - "afogado e queimado" - em 1744, por ordem de um Tribunal do Santo Ofício pelo crime de heresia e apostasia, sem jamais ter pedido clemência.
As primeiras notícias que os espanhóis tiveram da existência de uma imensa região de selvas existentes depois dos Andes, foi-lhes dada pelos próprios nativos em Quito e em Cuzco. Graças a sua fantasia de homens medievais, os conquistadores imaginaram logo que a floresta abrigava o El Dorado, uma serra repleta de ouro puro.
Bastava chegar lá e carregar o que pudessem. É certo que o grande rio já era conhecido desde que Vicente Pinzón navegou na sua foz, em 1500, chamando-o de Mar Dulce, mas quem primeiro organizou uma expedição partindo de Quito foi Gonzalo Pizarro, irmão do conquistador do Peru.
Partindo de Quito, em 1541, numa expedição com 150 soldados, 4 mil índios e 3 mil animais de tropa, inclusive com alpacas e lhamas, Gonzalo consegui transpassar os Andes por dificílimos caminhos chegando às cabeceiras do Rio Amazonas.
As dificuldades encontradas fizeram com que destacasse, num barco lá mesmo construído, a que Francisco Orellana desse prosseguimento ao projeto. A exploração teve seguimento até que atingiu a desembocadura do grande rio no Atlântico, em 1542, depois de ter percorrido seus 5.825 km.
Deve-se a Orellana sua denominação. Deparando-se, nas margens do rio, com um grupo de belicosas índias que acompanhavam os homens em combate, chamou-as de amazonas, confundindo-as com as antigas guerreiras da mitologia grega.
Ao retornar à Espanha, Orellana conseguiu ser nomeado adelantado, organizando uma nova sortida que o levou ao naufrágio e morte a bordo de um bergantim , provavelmente nas proximidade de Macapá, em 1550.
Em fins do século XV, as duas superpotências da época, Portugal e Espanha, com as bençãos da Igreja Católica, acordaram pelo tratado de Tordesilhas a divisão das terras por descobrir, onde atualmente se situam a África e as Américas. Pelo combinado, grande parte do que se conhece hoje por Amazônia brasileira tocaria aos espanhóis.
Não demorou muito para que outros desbravadores viessem instalar feitorias na região amazônica, preferencialmente na embocadura do grande rio e circunvizinhanças. A presença dos heréticos ingleses e holandeses nas Guianas seguiu-se pela dos franceses no Golfão do Maranhão, onde fundaram o forte de São Luís em 1612.
As autoridades do Reino Unido (entre 1580-1640, Espanha e Portugal estavam sob o mesmo governo), decidiram-se expulsar os franceses de São Luís e fixar-se em definitivo no estuário amazônico.
A cidade caiu em mãos portuguesas em 1615 e, no ano seguinte, em 16 de janeiro de 1616, o capitão-mor Caldeira Castelo Branco fundou, na região que denominou de Lusitânia Feliz, o Forte Presépio de Belém, a casa forte que deu origem a capital do Pará.
Cidade essa, na baia de Guará, que se tornou na sentinela da embocadura do Grande Rio e no trampolim para a conquista da Amazônia.
Uma longa guerra - comercial e ideológica - travou-se na região até que em 1697 afirmaram-se mais ou menos as fronteiras entre os interesses holandeses, ingleses e franceses de um lado, do lado das Guianas, e os lusitanos do outro, do lado do Amapá, tendo o cabo Orange, no Rio Oiapoque como o acidente divisor.
O acordo celebrado no tratado de Lisboa de 1701. As portas do Amazonas, desde então, abriam-se exclusivamente aos navegantes portugueses. Em 1639 o capitão Pedro Teixeira, partindo do Rio Tocantins, atingiu a extremidade da sua investida no Rio Napo, seguindo dali até Quito, no Equador. Paralelo aos capitães e desbravadores privados, assentaram-se as missões de jesuítas, franciscanos, mercenários, carmelitas e seculares, que se espalharam pelas vastas áreas entre o Rio Solimões e o Tapajós.
Os missionários foram convocados para catequizar os gentios e também evitar a possível influência dos hereges protestantes. A orientação das ordens religiosas, por lá já encontradas em 1570, era que aldeassem os nativos, geralmente dispersos em amplos territórios e divididos entre as nações tupinambás, urubus, gamelas, timbiras, apinajés, jurunas, caiapós, carajás, aimorés, munducurus, tapajós, aruaques, turumás, murás, jurimaguás, omáquas, manaus, barés e ianomâmis, para melhor evangelizá-los.Quase que imediatamente iniciou-se um conflito entre as tropas de resgate chefiadas por mamelucos escravagistas e os padres, que se estendeu por mais de século, na luta pelo braço indígena.
Os religiosos desejavam-nos orando a Deus e a Cristo, os colonos queriam-nos no trabalho, suando sobre a lavoura e a extração.
Os sacerdotes, mais influentes, conseguiram uma série de decretos, provisões, leis e alvarás reais atribuindo-lhes autoridade sobre os nativos e proibindo sua escravidão, tal como a lei de 30 de julho de 1609, que determinava que “fossem os índios tratados como pessoas livres, sem serem constrangidos a executar serviços contra a vontade”, desde que lhes divulgassem a fé. O que, obviamente, poucas vezes foi obedecida. Como defensor da causa dos gentios destacou-se o Pe. Antônio Vieira, o grande sermonista, que desembarcou no Maranhão em 1653, a quem logo os nativos chamaram de paiacu, o grande pai.
Seguiram-se outras expedições espanholas com finalidade exploratória, até que franceses tentassem, no norte do Brasil, estabelecer a França Equinocial.
A expulsão do invasor do Maranhão alertou os portugueses para a importância da região contígua: a Amazônia. Como conseqüência, Francisco Caldeira Castelo Branco fundou, em 1616, na foz do grande rio, o Forte do Presépio, origem da atual cidade de Belém. A Amazônia começava a ser brasileira.
É bem verdade que a União das Coroas Ibéricas, a partir de 1580, tornando letra morta a linha de Tordesilhas, facilitara as coisas para Portugal. Afinal de contas, só havia um rei e senhor, o da Espanha; e todas as terras lhe pertenciam. Astutamente, os portugueses se valeriam dessa circunstância histórica para ampliar, o mais a Oeste possível, suas terras na América.
Em 1640 Portugal recuperou a independência e a Espanha voltou a ser adversária. Isso fez com que novos fortins fossem instalados nas margens do Solimões e nos encontros dos rios, como o forte de São José do Rio Negro, em 1699, onde bem mais tarde, nas suas proximidades, surgiu Manaus.
Esse período foi marcado pela penetração extrativista e coletora atrás das “drogas do sertão” e, também pela captura, por bandeirantes vindos do Sul, da mão de obra indígena tornada escrava. A resistência dos padres ao costume das repartições onde os índios eram divididos entre os reinóis, agravada pela pratica monopolista da Companhia de Comércio do Maranhão e Grão-Pará, ativada em 1682, fez com que uma revolta eclodisse no Maranhão, a rebelião - antijesuítica e antimonopolista - do senhor de engenho Manuel Beckmann, a revolta de Bequimão, que morreu executado em 1685.
Duas expedições – verdadeiras epopéias - foram decisivas na conquista da Amazônia portuguesa: a de Pedro Teixeira e a de Raposo Tavares. Em 1637, o Capitão Pedro Teixeira, à frente de uma expedição cujo efetivo chegava a cerca de 2.500 pessoas, lançou-se para Oeste, contra a correnteza, pela calha do rio Amazonas, com a finalidade de reconhecer e explorar a região e colocar marcos de ocupação portugueses, até aonde pudesse chegar.
E assim foi feito. Valendo-se do conhecimento e da adaptação à selva de mais de um milhar de índios, levou a cabo sua penosa missão, tendo chegado a Quito, na América Espanhola. Tal empreitada, que durou cerca de 2 anos, constitui feito memorável e de suma importância para o reconhecimento, com base no "Uti-possidetis", da presença portuguesa na Amazônia.
Outro grande desbravador da região foi Raposo Tavares. Saindo de São Paulo, em 1648, pela tradicional via de acesso do rio Tietê, atingiu o rio Paraguai, daí o Guaporé, o Madeira e finalmente o Solimões-Amazonas, o qual navegou até Gurupá, no atual estado do Pará, de onde retornou a São Paulo. Três anos foram consumidos nessa jornada reveladora do espírito aventureiro do Bandeirante. Muitas outras entradas e bandeiras foram empreendidas pelos luso-brasileiros aos rincões da Amazônia, seja em busca do tão sonhado El Dorado.
Somente em 1750 pelo Tratado de Madri, Espanha e Portugal acordaram em relação às suas fronteiras. De Lisboa o Marques do Pombal, o todo-poderoso primeiro-ministro (1756-1777), enviara já o seu irmão Mendonça Furtado, em 1751, para supervisionar os negócios da companhia monopolista na Amazônia. A época do despotismo representada por Pombal na Metrópole e seu irmão no Grão-Pará, como politicamente denominou-se a região do Amazonas, foi extremamente ativa.
Os jesuítas que lá estavam desde 1607 foram expulsos em 1760. Novas lavouras foram introduzidas, como a do algodão, a do tabaco, a da cana-de-açúcar e a do café (trazido por Palheta).
Lusitanizou-se o nome das cidades, abandonando-se a toponímica brasílica, e a língua portuguesa foi ensinada. “Liberou-se os silvícolas” do seus encargos nos aldeamentos, bem como um pequeno número de colonos açoritas foi distribuído entre Belém e Santarém para viabilizar os empreendimentos.
Administrativamente a região sofreu uma reforma: pelo ato régio de 20 de agosto de 1772, dividiu-se o antigo Estado do Grão-Pará - existente desde 1618 -, entre o Estado do Maranhão e Piauí (com capital em São Luís) e o Estado do Grão-Pará e do Rio Negro (atual estado do Amazonas, com sede em Belém). Ambos subordinados diretamente à Lisboa. A integração política da Amazônia com o resto do Brasil só deu seus primeiros passos com a instalação da Corte joanina no Rio de Janeiro em 1808, quando então as duas capitais Belém e Manaus se lhe subordinaram.
Os portugueses, dentro de um rígido mercantilismo, sempre mantiveram uma política de clausura das colônias. A Amazônia não foi exceção. Nem quando o célebre naturalista alemão Alexander von Humboldt visitou a América (dele é a expressão hiléia amazônica), entre 1799-1804, permitiram que ele penetrasse no lado português da floresta.
Essa política começou a ser reformada em 1808 com a vinda da família real para o Brasil, e com o decreto da Abertura dos Portos às Nações Amigas. No império começaram a chegar inúmeros naturalistas, entre eles Auguste Saint-Hilaire e os austríacos Spix e Martius que coletaram vastas informações sobre a botânica amazonense.
Mas o imperador D. Pedro II, apesar das pressões internacionais, negou-se, pelo menos até 7 de setembro de 1867, a liberar a navegação do grande rio aos estrangeiros, tarefa que desde 1853 estava ao encargo de uma empresa do Barão de Mauá. Três anos antes, em 1850, a região, numa outra reforma administrativa, criara-se a Província do Amazonas, separando-a do Grão-Pará, tendo Manaus como sua capital.
As ações dos luso-brasileiros que conduziram à conquista e à manutenção da Amazônia - hoje patrimônio incontestável do povo brasileiro - constituem uma das mais belas páginas de nossa história.
Conquistada a custo de sofrimentos e sacrifícios, a Amazônia precisava agora ser mantida. Era de se esperar que, além dos espanhóis, franceses, holandeses e ingleses, não se conformassem, pacificamente, com a posse portuguesa da Amazônia. E assim foram à luta. Os últimos tentaram se estabelecer, na margem Norte, junto à foz. Quanto aos espanhóis pressionaram de Oeste para Este, pretendendo conduzir suas ações ao sabor da correnteza. Foi aí que se depararam com as sentinelas de pedra, os fortes da Amazônia, erigidos pelos luso-brasileiros para barrar-lhes o caminho.
Fiéis ao sábio princípio militar de que quem domina a embocadura de um rio domina seu curso, os portugueses estabeleceram suas fortificações na Amazônia em posições estratégicas, ao longo das vias fluviais, em sítios privilegiados para os defensores. Foi a partir das pranchetas rudimentares de seus engenheiros que os luso-brasileiros começaram a ganhar a guerra pela manutenção da Amazônia.
Entre os mais importantes, além do já mencionado Forte do Presépio, desempenharam papel de fundamental importância para a consolidação da conquista da Amazônia portuguesa, os Fortes de São José do Rio Negro, de Gurupá, de Macapá, de São José de Marabitanas, de São Gabriel das Cachoeiras, de São Joaquim, de São Francisco Xavier de Tabatinga e Príncipe da Beira, entre outros.
Centenas de anos antes de a Amazônia virar bandeira ambientalista do mundo inteiro, a região já despertava o interesse de vários países. Naquele tempo, embora já existissem o boto cor-de-rosa, o peixe-boi, as plantas típicas e a grande biodiversidade de espécies, havia outra preocupação muito menos ecológica: o extrativismo vegetal, que impulsionava a ocupação e o povoamento da Amazônia.
Como o guaraná, o urucum e alguns tipos de pimenta rendiam bons lucros no mercado internacional e eram alguns dos produtos monopolizados pela metrópole.
A Amazônia é ocupada por reserva florística e a outra é representada pela água. O acesso à região é feito principalmente por via fluvial ou aérea. O clima é equatorial úmido, com temperatura média/dia/anual de 26,7 ºC, com variações médias entre 23,3 ºC e 31,4 ºC. A umidade relativa do ar fica em torno de 80% e possui apenas duas estações bem definidas: chuvosa (inverno) e seca ou menos chuvosa (verão).
Diferentemente do que se tem divulgado, a Região Amazônica não é uma vasta planície, mas sim uma peneplanície, notada pelas elevações que se podem observar próximas às calhas, como as serras de Maraguases e Maracaçu, em Parintins, as da Lua e outras antes do altiplano guianense.
É no Estado do Amazonas que se encontram os pontos mais elevados do Brasil: o Pico da Neblina, com 3.014 metros de altitude, e o 31 de Março, com 2.992 m de altitude, ambos na fronteira.
Sofrendo influência de vários fatores com precipitação, vegetação e altitude, a água forma na região a maior rede hidrográfica do planeta. Os rios amazonenses são, praticamente, navegáveis durante todo o ano. Outros como o Negro, Alto Madeira, Urubu, Aripuanã, Branco e Uaupés são obstruídos pelas formações em degraus, o que não impede sempre a navegação ordinária, salvo as corredeiras do Alto Madeira e a famosa cachoeira das Andorinhas, no rio Aripuanã. O rio mais encachoeirado é o Negro.
O rio Amazonas é internacionalmente conhecido como o maior do mundo em volume de água, tem o curso calculado em 6.300 quilômetros. Seu arco atlântico tem a extensão de 400 quilômetros. Nasce presumivelmente na lagoa Santana (Andes Ocidentais), onde sua bacia de recepção é um rio de geleira.O segundo rio mais importante da bacia amazônica é o Negro. Ele também foi descoberto por Francisco Orelhana, em 3 de junho de 1541. Sua nascente fica na Colômbia, aos 2° de latitude norte, na região de Popaiã. Tem 1.551 quilômetros de curso, dos quais cerca de 50 obstruídos por corredeiras e saltos medíocres. Dos rios amazonenses é o que possui o maior aglomerado de ilhas no curso inferior, o arquipélago de Anavilhanas, verdadeiro labirinto onde se perdem pilotos experimentados.
O rio Amazonas corre pelo norte da América do Sul, em sua maior parte em território do Brasil; é o mais longo rio do mundo, uma vez que nasce no nevado Mismi, na cordilheira de Chila, nos Andes do sul do Peru, o que lhe dá uma extensão de quase 7.100 km. Esse número ainda não é preciso, pois os geógrafos não chegaram a uma conclusão a respeito de qual de dois cursos de água, ambos nascidos no mesmo Nevado, é o verdadeiro ponto de partida. A real extensão do Amazonas foi estabelecida pela primeira vez pelo Instituto Geográfico Nacional do Peru, no início da década de 1980. Em 1994, uma expedição organizada pelos brasileiros Paula Saldanha e Roberto Werneck seguiu o curso do rio desde sua foz, no Atlântico, até sua nascente nos Andes, comprovando os dados dos geógrafos peruanos; e desde 1995 o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) do Brasil tem analisado fotos de satélite da região, chegando à mesma conclusão.
Uma expedição organizada em 1986 pela National Geographic Society, dos Estados Unidos, tomando como nascente o curso de água que se origina no monte Huagra, já tinha calculado a extensão do Amazonas em 7.025 km, o que seria suficiente para reconhecê-lo como mais comprido que o Nilo e o Mississippi-Missouri.
O rio nasce com o nome de Apurimac a 5.500 m de altura, no departamento peruano de Arequipa, descendo as encostas da montanha até unir-se ao Urubamba, na divisa dos departamentos de Junín e Ucayali, para formar o rio desse nome; já na região das florestas equatoriais, o Ucayali se une ao rio Marañón (perto da cidade de Nauta, no departamento de Loreto) e forma o Amazonas peruano.
Ao entrar em território brasileiro o Amazonas é chamado de Solimões até 30 km a leste de Manaus, onde recebe as águas do rio Negro e recupera seu nome principal. Nos 1.900 km desde sua nascente até a planície na selva peruana, o rio realiza uma descida de 5.440 m; nos 5.200 km restantes, até o Atlântico, o desnível é de apenas 60 metros.
Os 3.700 km desde a foz até Iquitos, na Amazônia peruana, são navegáveis para navios de grande calado. Se considerados seus principais afluentes e os trechos navegáveis por embarcações menores, a bacia amazônica representa uma rede de 25.000 km de vias fluviais.
Em seu percurso, o Amazonas recebe quase 7.000 afluentes, que em conjunto ocupam uma área de quase 4 milhões de quilômetros quadrados. Os sedimentos arrastados pelas águas totalizam 800 milhões de toneladas por ano, e esses fragmentos de montanhas andinas são carregados pela correnteza até 200 km dentro do Atlântico, indo depositar-se na costa da Guiana Francesa, frente a Caiena.
A variação média da altura das águas é de 10 m, entre a estação seca e a chuvosa, mas diante de Manaus essa diferença pode ser de 16 m, fazendo com que a distância entre as margens aumente de 13 para 50 km.
Na altura de Óbidos (PA), o Amazonas apresenta sua menor largura, com 1.800 m, mas ali também se registra a maior profundidade (50 m); sua vazão nesse ponto é de 200 mil metros cúbicos por segundo.
A Amazônia é considerada a área de maior extensão de floresta tropical do mundo, representando 40% do total ainda existente do planeta.
Com a maior floresta tropical úmida do mundo, a mais extensa rede fluvial do planeta e com o maior volume de água doce disponível na Terra, a Amazônia presta valiosos serviços ambientais ao regular a quantidade de gás carbônico na atmosfera e orquestrar a distribuição de chuvas em quase metade da América Latina.
Localizada à altura Equador, a Amazônia tem o clima quente e úmido. As chuvas são muito abundantes e, em certos períodos, provocam enchentes, inundando vastas regiões e fertilizando a terra. Normalmente as estações do ano são divididas em inverno, quando chove mais e verão quando a pluviosidade é menor.
A biodiversidade da região é tamanha que não há outro lugar com variedade tão grande de espécies, com características próprias bem marcadas.
Muitos dos animais da região servem como controladores naturais de pragas, dispersores de sementes, além de serem responsáveis pela polinização de uma grande variedade de plantas.
A Bacia Hidrográfica Amazônica é a maior do mundo, com quase 4 milhões de km² de extensão em terras brasileiras. Somente na porção brasileira, abrange 10 dos maiores rios do mundo, entre os quais o lendário Rio Amazonas, com 7.025 quilômetros de extensão desde a Nascente, na Cordilheira dos Andes, no Peru, até a sua foz no Oceano Atlântico.
O suficiente para reconhecê-lo como mais comprido que o Nilo. Considerando os trechos navegáveis por embarcações pequenas e seus principais afluentes, a bacia amazônica apresenta uma rede de 25.000 km de vias fluviais.
A natureza presenteou ainda a capital do Amazonas com o belo espetáculo do encontro das águas escuras do Rio Negro com as águas barrentas do Rio Solimões, bem em frente à cidade de Manaus.
O contraste das cores dos rios se estendem por vários quilômetros, até se misturarem formando o Rio Amazonas. Além dos rios e seus afluentes, a hidrografia da região reserva ainda os dois maiores arquipélagos fluviais do mundo: o de Anavilhanas e o de Mariuá.
Não se pode confirmar exatamente desde quando a Amazônia é habitada, mas sabe-se que desde antes da chegada dos europeus, no século XVI, os índios já viviam na região.
Desses mais de 500 anos de história, a formação populacional da Amazônia, assim como a brasileira, preserva ainda hoje características da grande miscigenação entre as diversas raças.
Herança da colonização européia, o brasileiro, e o povo amazônico, em particular, apresentam traços do índio, o branco e o negro, como nenhum outro no mundo. Ribeirinhos, índios, seringueiros, garimpeiros, pescadores, operários, executivos.
Com cerca de 20 milhões de pessoas vivendo nos nove estados da Amazônia Legal, a densidade demográfica é de cerca de 3,4 habitantes por Km2, com 62% da população vivendo nos centros urbanos. Manaus, considerada a maior cidade da Amazônia, de acordo com o Censo 2000, possui população de mais de 1,4 milhão de pessoas.
A Amazônia fica ao norte da América do Sul e atinge parte do território de nove países, dentre estes: Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. A Amazônia brasileira abrange os Estados do Pará, Amazonas, Maranhão, Goiás, Mato Grosso, Acre, Amapá, Rondônia e Roraima, compreendendo uma área de 5.033.072 Km2, o que corresponde a 61% do território brasileiro.
Só a Amazônia brasileira é sete vezes maior que a França e corresponde a 32 países da Europa Ocidental. A ilha de Marajó, que fica na embocadura do rio, é maior que alguns países como a Suíça, a Holanda ou a Bélgica.
A Amazônia abriga mais de 200 espécies diferentes de árvores por hectare, 1.400 tipos de peixes, 1.300 pássaros e 300 de mamíferos, totalizando mais de 2 milhões de espécies, a Amazônia representa um terço de toda a área de florestas tropicais do mundo e é essencial para o clima e a diversidade biológica do planeta.
Com uma população estimada em cerca de 16, 5 milhões de pessoas das quais, 62% vivem na zona urbana e 38% na zona rural. Das doenças parasitárias da população, a malária é a principal endemia. Verificou-se em Porto Velho 90% do total; Boa Vista 82%; Macapá e Rio Branco 22%, Manaus 14%; Palmas 11%, Cuiabá 6% e Belém 0,2%;
A principal fonte de alimentação da população na região (interior) é o peixe. Segundo dados do INPA, existem cerca de 3.000 espécies de peixes na Amazônia, porém, estudos da pesca no Estado do Amazonas mostraram que apenas 36 espécies são exploradas. 90% da pesca é representado por 18 espécies, mas 61% é de 4 espécies: tambaqui (18%), Jaraqui (32%), Curimatã (11%) e pacus (5%);
Quanto aos Rios, existem basicamente três tipos: de água branca (Solimões, Amazonas, Madeira...); água preta (Negro, Urubu...); água clara (Tapajós, Trombetas...).
O clima amazônico é caracterizado por umidade elevada durante todo o ano. Valores de Umidade Relativa (U.R) de 90% e até mesmo 99% são freqüentemente encontrados e, em certas regiões essas taxas de U.R elevadas estão associadas à temperatura de + 30º C a + 35º C, o que implica em uma quantidade considerável de água por metro cúbico de ar, típica de floresta equatorial. A temperatura média anual é de 28ºC. As temperaturas extremas oscilam entre 14º C e 42º C.
As chuvas são muito abundantes (entre 3500 e 6000 mm/ano) e, em certos períodos, a precipitação pluviométrica pode ser de tal ordem que o escoamento natural não é capaz de impedir o acúmulo de consideráveis volumes de água, provocando enchentes nos rios e inundando vastas regiões. Assim esclarece Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA e Sistema de Vigilância da Amazônia – SIVAM
Na Floresta Amazônica destacam-se basicamente três ecossistemas, de acordo com o relevo da região em que se localizam. Em áreas permanentemente inundadas, com as matas de igapó, crescem vegetações típicas de trepadeiras e árvores com até 20 metros de altura. As faixas de várzea, que permanecem inundadas apenas durante um período do ano. E o relevo das planícies de terra firme, onde há as formações vegetais de até 60 metros de altura, e livre das inundações.
O solo da região é caracterizado pela pobreza de nutrientes, porém, protegido pela cobertura vegetal, de onde se abastece com nutrientes oriundos da decomposição das folhas, troncos e raízes.
A Bacia Amazônica é a maior bacia hidrográfica do mundo, concentrando 10 dos maiores rios do planeta e 1/5 da água doce da Terra. O complexo é o maior sistema de água doce do mundo, com aproximadamente 7.000.000 km² de área de drenagem, incluindo o rio Tocantins.No total 64,88% se encontram no território brasileiro. A Colombia possui(16,14%), a Bolívia (15,61%), o Equador (2,31%), a Guiana (1,35%), o Peru (0,60%) e Venezuela possui (0,11%).
A bacia está limitada a Oeste pelos Andes, ao Norte pelo Escudo das Guianas, ao Sul pelo Maciço Central Brasileiro e a Leste, deságua no Oceano Atlântico. Suas nascentes estão localizadas na Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia. No Brasil, abrange os Estados do Amazonas, Pará, Amapá, Acre, Roraima Rondônia e Mato Grosso.
Entre os principais afluentes da margem esquerda encontram-se o Japurá, o Negro e o Trombetas; na margem direita, o Juruá, o Purus, o Madeira, o Xingu e o Tapajós. A Bacia Amazônica é fortemente influenciada pela sazonalidade das chuvas, que começam entre novembro-dezembro na região ao sul do Equador e uns meses mais tarde ao norte desse País e se estendem por 4 a 5 meses. O principal sistema fluvial é o rio Amazonas que possui uma descarga média final de 175.000 m3, que representa 20% do total de águas doces do mundo que chegam aos oceanos.
As constantes chuvas que caem na região também contribuem para a formação de centenas de pequenos rios e igarapés. O nível das águas do maior rio da bacia, o Amazonas, sobe gradualmente de novembro a junho, quando começa a descer até fins do penúltimo mês do ano. Alguns rios da Bacia Amazônica têm águas pretas, como o Negro, que variam do tom oliva a castanho-café. As águas assumem estas cores por terem menos 5mg/l de partículas em suspensão. Os rios como o Tapajós tem águas chamadas de claras, mas que, na verdade, variam do amarelo-esverdeado até o oliva e que, às vezes, apresentam-se transparentes. As chamadas águas brancas, como as do Rio Solimões, são barrentas e túrbidas devido a elevada carga de partículas em suspensão - entre 40 e 300 mg/l.
A Economia se desenvolveu com a preocupação de inserção da Amazônia ao contexto brasileiro. A ocupação humana que se intensificou na segunda metade do século XIX durante o “ciclo da borracha”, não ameaçava diretamente aquele equilíbrio uma vez que não precisava retirar as árvores; a economia coletora dos seringueiros, assim como a extração das chamadas “drogas do sertão”, destinadas à produção de medicamentos, harmonizava-se com o equilíbrio ecológico.
Essa economia combinava com uma reduzida criação de gado nas áreas abertas e a existência de pouquíssimos centros urbanos de certa importância, como Iquitos, Leticia, Manaus, Óbidos, Santarém e Belém do Pará.
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